Sustentabilidade na limpeza também é uma questão de custo
Quando se fala em sustentabilidade na limpeza industrial, é comum pensar primeiro em metas ambientais ou relatórios de ESG. Água, energia e produtos químicos, porém, também aparecem todos os meses no custo da operação. Consumir menos recursos para entregar o mesmo padrão de limpeza pode reduzir o impacto ambiental e melhorar a eficiência ao mesmo tempo.
Essa relação aparece na forma como organizações analisam o custo de um equipamento ao longo da vida útil. A Comissão Europeia recomenda que as análises de custo do ciclo de vida considerem o preço de compra e também as despesas de operação com energia, água, peças e manutenção. Na limpeza profissional, a lógica é parecida.
Imagine duas operações com áreas e necessidades semelhantes. Uma ajusta a vazão de água, a dosagem de produto e os parâmetros de limpeza de acordo com a aplicação. A outra trabalha sempre com a mesma configuração, independentemente do nível de sujidade ou da área. Em um turno, a diferença parece pequena. Depois de centenas de horas de operação, ela pode aparecer no consumo acumulado de água, energia e detergente. É por isso que a sustentabilidade ganha força quando passa a ser medida.
Água: quanto é necessário para entregar o resultado?
A água é um dos recursos mais visíveis da limpeza. Acompanhar só o consumo total da instalação, porém, nem sempre mostra a eficiência da limpeza, porque uma planta usa água em vários processos diferentes.
Uma forma mais útil de olhar para o tema é relacionar consumo e resultado. Quantos litros são necessários para limpar determinada área? A mesma máquina usa o mesmo volume independentemente do nível de sujidade? A vazão pode ser ajustada? Existe diferença entre operadores ou turnos? Com essas informações, fica mais fácil identificar desperdícios e comparar métodos.
Tecnologias que ajustam o fluxo de solução às condições da operação podem ajudar nessa gestão. Menos água, porém, nem sempre é melhor. O objetivo é usar a quantidade necessária para atingir o padrão de limpeza esperado, evitando o excesso e o retrabalho causado pelo uso insuficiente.
O custo da água pode ir além do abastecimento
Em algumas operações, o custo da água continua depois do uso. Dependendo da estrutura da instalação e do processo, podem existir custos de coleta, descarte ou tratamento de efluentes. Isso varia muito entre operações, e não existe uma relação automática. A pergunta que fica é se a empresa, ao calcular o custo da limpeza, considera só o produto químico e a mão de obra ou inclui também os recursos consumidos no processo. Quanto mais completa for essa visão, mais justa fica a comparação entre alternativas.
Energia precisa ser medida
O mesmo raciocínio vale para a energia. Lavadoras de piso, aspiradores industriais e outros equipamentos têm potências, sistemas de bateria, motores e modos de operação diferentes.
O tempo de funcionamento importa e conta só parte da história. Limpar uma área em menos tempo não reduz automaticamente o consumo de energia na mesma proporção. Uma máquina pode trabalhar menos minutos com potência maior. Outra pode operar por mais tempo com demanda menor. Para avaliar eficiência, o indicador mais útil relaciona a energia consumida ao trabalho entregue. Quando for possível medir de forma confiável, acompanhar kWh por área limpa permite comparar equipamentos, modos de operação e períodos com uma base mais consistente.
Produtos químicos: a quantidade certa para cada aplicação
Existe uma tendência intuitiva de associar mais produto a uma limpeza mais intensa. Na prática, cada produto tem uma concentração indicada para determinada aplicação. O CDC, órgão de saúde pública dos Estados Unidos, orienta que os produtos de limpeza sejam preparados conforme as instruções do fabricante, porque concentrações acima ou abaixo da recomendada podem afetar o resultado e criar riscos desnecessários. O órgão também aponta que sistemas automáticos de dosagem, quando bem calibrados, podem reduzir erros da mistura manual.
Essa lógica vale fora do ambiente hospitalar. Se uma operação usa mais detergente do que o necessário em todas as limpezas, o excesso se repete todos os dias, em todos os turnos. A dosagem controlada transforma uma decisão que dependia só do operador em um parâmetro mais consistente. O objetivo é usar a quantidade correta para a aplicação.
O consumo precisa acompanhar a necessidade de cada área
Nem toda área pede a mesma intensidade de limpeza. Um corredor com tráfego leve pode exigir uma configuração diferente de uma área industrial com óleo, partículas ou sujidade aderida. Usar sempre o máximo de água ou detergente pode parecer mais simples e elimina a chance de adequar o consumo à necessidade.
Sistemas que permitem variar os parâmetros de limpeza ajudam nesse ponto. Em algumas situações, pode ser possível trabalhar só com água. Em outras, será necessário detergente ou outra configuração. A decisão parte da condição da área e do resultado desejado.
Um exemplo concreto: a SC550
Vale sair do conceito e olhar para um equipamento específico. A SC550 conta com sistemas de controle de água e detergente voltados à otimização do consumo. De acordo com cálculos internos divulgados pela Nilfisk no lançamento do equipamento, essa combinação de tecnologias pode proporcionar, nas condições comparadas pela empresa, economia de até 40% de água, 60% de detergente e 20% de energia em relação a máquinas sem essas tecnologias.
Esses percentuais não se repetem automaticamente em qualquer operação. O resultado real depende da configuração usada, do modelo comparado, do tipo de piso, do nível de sujidade, da frequência de limpeza e da forma de operar. O dado é útil por mostrar como uma análise de sustentabilidade deve ser feita: com um equipamento definido, uma base de comparação clara e métricas específicas.
Produtividade entra na conta de outra forma
Produtividade e sustentabilidade podem caminhar juntas, mas a relação não é proporcional. Uma máquina que limpa mais metros quadrados por hora pode reduzir horas de trabalho e tempo de operação, o que pode gerar ganhos de custo. Isso não significa que água, energia e detergente vão cair na mesma proporção, porque esses recursos dependem de vazão, potência e concentração da solução.
Por isso, a produtividade deve ser analisada junto com o consumo. Uma comparação mais completa olha ao mesmo tempo para metros quadrados limpos por hora, litros de água por área limpa, volume de detergente por área, energia consumida, necessidade de reabastecimento, retrabalho e horas de mão de obra. A conversa muda bastante quando essas informações são analisadas juntas.
O desperdício que fica escondido na conta geral
O desperdício raramente aparece com esse nome no orçamento. Ele pode estar na compra mensal de detergente, na conta de água, no consumo de energia, nas horas adicionais para terminar uma área ou no retrabalho causado por uma configuração que não entregou o resultado esperado.
Quando a gestão olha só para o total mensal, fica difícil identificar a origem. Uma unidade pode consumir mais porque tem área maior. Outra porque trabalha com sujidade mais pesada. Uma terceira pode estar usando parâmetros acima do necessário. Normalizar os indicadores ajuda a separar essas situações. Em vez de perguntar apenas quanto a empresa gastou, vale perguntar quanto gastou para limpar cada 1.000 m².
Cinco indicadores simples para começar
Não é preciso um sistema complexo para começar a medir. Alguns indicadores já ajudam a criar uma linha de base.
Água por área limpa: litros por 1.000 m².
Produto químico por área limpa: mililitros ou litros por 1.000 m².
Energia por área limpa: kWh por 1.000 m², quando houver medição confiável.
Produtividade: m² efetivamente limpos por hora.
Custo operacional por área: soma dos recursos consumidos e dos custos diretamente ligados à execução da limpeza, dividida pela área limpa.
O cálculo segue a mesma lógica em todos eles:
Indicador por 1.000 m² = quantidade consumida ÷ área limpa × 1.000.
Em um exemplo hipotético, uma operação que usa 90 litros de água para limpar 4.500 m² tem consumo de 20 litros por 1.000 m². Um número isolado como esse não mostra se a operação vai bem ou mal. Acompanhado ao longo dos meses, na mesma área e com o mesmo padrão de limpeza, ele mostra se uma mudança de equipamento, configuração, produto ou processo trouxe resultado.
O preço de compra é uma parte da decisão
Dois equipamentos podem ter preços diferentes na compra e inverter essa relação ao longo dos anos de uso. É essa diferença que o custo do ciclo de vida procura mostrar. A Comissão Europeia inclui na análise o preço de aquisição, os custos de operação com energia e água, a manutenção, as peças e os custos de fim de vida.
Na limpeza industrial, esse raciocínio leva a perguntas melhores. Quanto o equipamento deve consumir durante o uso? Como será a rotina de manutenção? Por quanto tempo ele pode permanecer em operação? Existe diferença de produtividade? Quanto custam os insumos? A diferença no investimento inicial é compensada por alguma economia de operação ao longo do tempo? A resposta depende de uma conta feita para cada aplicação.
Um equipamento mais sustentável custa mais caro?
Não necessariamente, e também não custa sempre menos. É por isso que comparar alternativas só pelo preço de compra leva a conclusões incompletas. Um equipamento com investimento inicial maior pode ter custo de operação menor ao longo da vida útil. Em outra situação, a economia de recursos pode não compensar a diferença.
O caminho mais consistente é calcular. Preço de aquisição, consumo estimado, uso anual, manutenção e vida útil esperada ajudam a montar a comparação. A sustentabilidade entra na decisão pelos efeitos que podem ser medidos em água, energia, produto e custo.
A configuração continua importando
Uma máquina pode ter recursos de controle de consumo e ainda assim ser usada de forma pouco econômica. Se a operação trabalha sempre na configuração máxima, parte desses recursos fica sem uso.
Tecnologia e treinamento precisam caminhar juntos. Quem opera deve entender quando reduzir ou aumentar o fluxo, quando determinado nível de detergente é necessário e qual configuração serve para cada situação. A Comissão Europeia adota uma lógica parecida nos critérios do EU Ecolabel para serviços de limpeza, que incluem medidas de redução do consumo de água e energia, uso de produtos de limpeza e gestão de resíduos. O resultado vem da combinação entre equipamento, processo e pessoas.
Cuidado com comparações de sustentabilidade
Um número como “40% menos água” parece simples. Mesmo assim, vale perguntar com o que ele foi comparado, em qual configuração, em qual aplicação, por quanto tempo e se a área ficou igualmente limpa. Essa atenção pesa quando a sustentabilidade participa de uma decisão de compra. Percentuais sem referência clara podem impressionar e dizer pouco sobre a operação real. Ao comparar fornecedores ou equipamentos, peça a base da afirmação e verifique se ela faz sentido para a sua instalação. Menos água ou menos energia só representa ganho quando o resultado necessário continua sendo entregue.
Como levar essa análise para dentro da operação
Algumas perguntas ajudam a entender o quanto a operação já conhece sobre o próprio consumo:
Sabemos quantos litros de água usamos por área limpa?
Conseguimos acompanhar o consumo de produto químico por turno, unidade ou equipamento?
Os operadores ajustam os parâmetros conforme a aplicação ou usam sempre a mesma configuração? Existe alguma forma de acompanhar o consumo de energia dos equipamentos?
Sabemos quanto custa limpar 1.000 m²?
Conseguimos identificar retrabalho?
Ao comparar equipamentos, analisamos só o preço ou também os custos durante o uso?
Quando um fornecedor apresenta uma redução percentual de consumo, sabemos qual foi a base de comparação?
Não é preciso responder tudo de uma vez. O primeiro passo pode ser criar uma linha de base e acompanhar a evolução.
Fale com a Nilfisk
Tipo de piso, nível de sujidade, área, frequência, turnos e padrão de limpeza influenciam a quantidade de recursos necessária para cada operação. Buscamos combinar desempenho de limpeza com uso racional de água, energia e produtos químicos, sempre considerando a aplicação. Recursos como controle de fluxo, dosagem e configurações ajustáveis podem ajudar a adaptar a limpeza às necessidades de cada área. Fale com um especialista Nilfisk para avaliar a solução e os indicadores que fazem sentido para a sua operação.
Conclusão
A sustentabilidade na limpeza industrial fica mais concreta quando pode ser medida. Água, energia e produtos químicos são indicadores ambientais e também parte do custo de operação. Uma análise consistente relaciona o recurso consumido ao resultado entregue: quantos litros foram usados, quanta energia, quanto detergente, quantos metros quadrados foram limpos e quanto custou chegar ao padrão esperado. Com essas perguntas na rotina, cada operação consegue identificar onde há espaço para ajustar o consumo sem comprometer a limpeza.
Perguntas frequentes
Como reduzir o consumo de água na limpeza industrial?
O primeiro passo é conhecer o consumo atual. A partir daí, vale avaliar vazão, configuração dos equipamentos, tipo de aplicação e necessidade real de água em cada área. Tecnologias de controle de fluxo podem ajudar, desde que o padrão de limpeza seja mantido. Acompanhar litros por área limpa facilita medir a evolução.
Sustentabilidade na limpeza reduz custo operacional?
Pode reduzir. Água, energia e produtos químicos fazem parte do custo de operação. A economia precisa ser medida em cada aplicação. Consumo menor só representa ganho quando o resultado de limpeza continua sendo entregue, sem aumento de retrabalho ou de outros custos.
Como o consumo de produtos químicos impacta o orçamento da limpeza?
Produtos químicos são um insumo recorrente. Concentrações acima da recomendada aumentam o consumo sem que isso signifique resultado melhor. A dosagem deve seguir as orientações do produto e da aplicação.
Um equipamento mais sustentável custa mais caro?
Não necessariamente. O preço de aquisição é um componente da decisão. Consumo de água e energia, produtos químicos, manutenção, produtividade e vida útil ajudam a definir o custo ao longo do tempo.
Como medir a sustentabilidade de uma operação de limpeza?
Uma forma prática é acompanhar indicadores ligados ao resultado, como litros de água, volume de produto químico e energia consumida por área limpa. Produtividade, retrabalho e custo por metro quadrado ajudam a verificar se a redução de recursos acontece sem comprometer o padrão de limpeza.
Referências
1. Comissão Europeia. Life-cycle costing. A Comissão Europeia explica que o preço de aquisição é apenas uma parte do custo de um produto durante sua vida útil e inclui, entre os custos operacionais, consumo de energia, água, peças e manutenção.
Endereço: Comissão Europeia – Life-cycle costing
2. Comissão Europeia. EU Ecolabel – Cleaning. Os critérios europeus para serviços de limpeza adotam uma abordagem que inclui redução do uso de produtos de limpeza de maior impacto, consumo de água e energia e gestão de resíduos.
Endereço: Comissão Europeia – EU Ecolabel: Cleaning
3. Centers for Disease Control and Prevention, CDC. Cleaning Supplies and Equipment. O CDC orienta que produtos de limpeza sejam utilizados na diluição recomendada pelo fabricante e observa que concentrações excessivas ou insuficientes podem afetar a eficácia. Também recomenda, quando viável, sistemas automáticos de dosagem calibrados, já que a mistura manual está mais sujeita a erros.
Endereço: CDC – Cleaning Supplies and Equipment
4. Nilfisk. Nilfisk makes energy and water savings the standard solution with the new SC550 cleaning machine, 15 de maio de 2024. Segundo cálculos internos divulgados pela Nilfisk, a SC550 pode economizar até 20% de energia, 40% de água e 60% de detergente em relação a máquinas sem as tecnologias comparadas. A própria fonte identifica os resultados como baseados em cálculos internos.
Endereço: Nilfisk – Resource efficiency of the SC550
5. Nilfisk. SC550. Página atual do produto, com informações sobre os sistemas Ecoflex e Smartflow. A Nilfisk informa uso de até 40% menos água e 60% menos detergente em relação a máquinas sem tecnologia semelhante, além de menor consumo energético em relação a modelos anteriores.
Endereço: Nilfisk – SC550
6. U.S. Environmental Protection Agency, EPA. EPA Strengthens the Safer Choice Standard for Commercial and Household Cleaning Products, 8 de agosto de 2024. O programa Safer Choice utiliza critérios para produtos e ingredientes de limpeza e incorporou requisitos relacionados a eficiência energética e redução do uso de água.
Endereço: EPA – Safer Choice Standard for Cleaning Products